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Friday, July 20, 2007

HOMENAGEM AO MESTRE JAIME COSTA

Por razões de espaço, o slideshow passou para o blogue [FILMES DO ATLÂNTICO AZUL]. The slideshow has moved to [BLUE FILMS]. Do take a look!...

Friday, July 13, 2007

O MAR...

«O Mar», Pedro Ayres de Magalhães «Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
Nem sei se vale a pena
Tentar-vos descrever O Mar
O Mar
E eu aqui fui ficando só para O poder ver E fui envelhecendo sem nunca O perceber O Mar... O Mar...»
«A Vontade de Mudar»
«Pobre de quem não tem
de quem não tem ninguém e sonha que nunca é tarde
quando encontrar alguém
Leva a vida inteira
perde a noite a chorar
E guarda, sem saber onde,
a vontade de mudar»
Pedro Ayres de Magalhães
(em parceria com Rodrigo Leão e Francisco Ribeiro )

Thursday, July 12, 2007

Para os Amigos da Singradura da Relinga

(Fotografia «A Virxen na sua barca em frente da colina sagrada de Lisboa » tirada na Procissão de 2007 da Nossa Senhora da Atalaia)
«Romaxe de Nosa Señora da Barca», por Garcia Lorca (*):
«¡Ay ruada, ruada, ruada,
da Virxen pequena e a súa barca!
A Virxen era pequena e a súa coroa de prata.
Marelos os catro bois que no seu carro a levaban.
Pombas de vidro traguían a choiva pol-a montana.
Mortos e mortos de néboa pol-as congostro as chegaban.
¡Virxen, deixa a túa cariña nos doces ollos das vaca
se leva sobr'o teu manto as foles da amortallada!
Pol-a testa de Galicia xa ven salaiando a i-alba.
A Virxen mira pra o mar dend'a porta da súa casa.
¡Ay ruada, ruada, ruada da Virxen pequena e a súa barca!»
(*) Contributo gentilmente remetido por Pereira de Oliveira.

Wednesday, June 27, 2007

«Faluas do Tejo»

Segue a letra da«Música Oficial da V Regata/Cruzeiro Moita - Vila Franca de Xira - Moita», que se realiza nos dias 7 e 8 de Julho de 2007:
(Fotografia «VENHAM CONNOSCO!!!»)
«Faluas,
Vaga lembrança Qu'eu de criança Guardei para mim. Se as vejo ainda Às vezes no Tejo Revivo a alegria Do tempo em que via no rio a passar. Faluas do Tejo Que eu via a brincar E agora não vejo No rio a passar. Faluas vadias Que andavam ali Em tardes perdidas Qu'eu nunca esqueci. E era tanta a beleza Que essas velas ao sol vinham criar Belo quadro da infância Que ainda não se apagou. E eu tenho a certeza Que as Faluas do Tejo hão-de voltar Outra vez a Lisboa»
Letra e música de Pedro Ayres de Magalhães, que embarcará connosco no Cruzeiro. Convidamos todos os amigos a vir connosco. Como sempre, o «embarque» é gratuito e garantimos momentos inesquecíveis!!... Traga a Família e os Amigos, cães incluídos! Não se esqueça de trazer um pólo, um boné, protector solar, fato de banho para o caso de apetecer dar um mergulho, uma garrafa de água (apesar de haver em abundância nas embarcações) e algo para comer (um pacote de bolachas, por exemplo).
Quem quiser trazer instrumentos musicais será muitíssimo bem vindo, pois faremos uma JAM SESSION com o Pedro Ayres de Magalhães, com o Luís Rock da Moita e demais amigos!!... A ideia é divertirmo-nos à grande!!! Quem quiser ir apenas num dos dias poderá fazê-lo. Brevemente daremos mais informações.

Monday, June 11, 2007

IN MEMORIAM

Enquanto não produzo o slideshow que o assunto merece, fiquem com algumas das imagens que obtive com o meu telemóvel do FANTÁSTICO FILME que está a ser exibido em sessão contínua das 10h00 às 18h00 (de Terça-feira a Domingo), até 31 de Julho de 2007, na sala anexa à da Exposição de Fotografias na Estação Marítima da Rocha. Recordo que a entrada é livre e gratuita.
Bastante comovente esta imagem do Cais das Colunas...

... E da Rua Augusta, nos anos 60, perto da varanda da Prima Sarah...

... Um dos sobreviventes do «Holocausto» a que o vogal do Centro Náutico Moitense se refere em comentário ao post anterior... «Que linda falua que lá ia, lá ia!... Era uma falua que ia para Belém!...»

Deixo-vos com o comentário do Vogal do Centro Náutico Moitense à mensagem anterior:

«A Administração do Porto de Lisboa, para além do filme que reproduz a vida vibrante do Tejo e que iremos todos ver (...), deveria pedir desculpa pública pelo holocausto de milhares de embarcações do Tejo. A Administração do Porto de Lisboa perseguiu e fez queimar na fogueira do ódio quase todas as embarcações do Tejo. A Administração do Porto de Lisboa, ao exigir que se lhe pague por praias que abandonou, por cais que abandonou, por pontes que abandonou, por docas assoreadas que abandonou, exigiu que pessoas humildes tivessem, a sangrar, que fazer arder ou enterrar vivas no lodo as suas embarcações porque nao podiam pagar, pois os fretes com as pontes tinham acabado... Estamos a ver uma operação de branqueamento em marcha, desta vez não deixaremos... As embarcações que resistiram e as que se constróem têm um rio completamente assoreado e não terão um cais na cidade de Lisboa.

A Administração do Porto de Lisboa tem o sangue e o cheiro de embarcações ardidas e enterradas vivas nas mãos! Nós velejamos neste Sábado da Moita, por Lisboa, pelo Seixal, pelo Barreiro de regresso à Moita... A Administração do Porto de Lisboa abandonou o rio, é um latifundiário ausente, o Tejo foi abandonado pelo seu proprieáario que exige o pagamento a quem lhe dá animação, a quem lhe pode dar a vida que a Administração do Porto de Lisboa lhe tirou nos anos do holocausto e lhe vai completamente tirar porque, em muito pouco tempo, não haverá cais em Lisboa...

Mas vamos todos ver o filme para perceber a dimensão do holocausto... A Rocha do Conde D'Óbidos deveria ser transformada no Museu do Holocausto da embarcações do Tejo para que ninguém se esqueca... VAMOS TODOS VER O FILME PARA NÃO DEIXAR O HOLOCAUSTO PASSAR EM CLARO».

Monday, June 4, 2007

ATALAIA

SENHORA MÃE, SENHORA DA ATALAIA,
REZÁMOS CONTIGO NESTE SANTUÁRIO.
PROTEGEI TODOS OS BARQUINHOS
QUE NAVEGAM NO ESTUÁRIO.
(Fotografia de Sailor Girl)
«Nesse altar de luz, Senhora da Atalaia,
Dai-nos tu Jesus, nossa Mãe Amada.
Com o vosso olhar, com o vosso sorriso,
Vinde-nos guiar para o Paraíso.
Vós sois a Rainha da nossa fronteira
Vós sois a Madrinha, Nossa Padroeira.
Ó Virgem Maria, ouve o nosso canto,
Com vossa alegria sois o nosso encanto.
Ó Virgem Maria que eu venero tanto
Dai-nos a tua benção com teu Santo Manto.»

NAVEGANDO COM O SAGRADO

Ana Paula», uma das canoas residentes do Centro Náutico Moitense, aqui fotografada por Luís Miguel Correia durante a Procissão Fluvial)

«O estuário do Tejo é o útero do Mundo. É onde se aconchegou a Humanidade que Portugal, pelo mar, fundou. No Sábado e no Domingo, Homens navegaram com o Sagrado - O Círio da Fundação - Entre as suas margens. Em terra, foram aos lugares de Ulisses, a Norte; De Calipso, a Sul. Com a Senhora de Atalaia, foram às terras de Aquiles. Desta vez, como pela primeira, há quinhentos anos, Os guardiões das portas vieram. E por isso, este ano, vão cunhar, de novo, outra vez em bronze, Moeda de Paz.» - Pereira de Oliveira.

NOSSA SENHORA DA ATALAIA

(Fotografia de Luís Miguel Correia)
ENQUANTO NÃO ME É POSSÍVEL REDIGIR UM ARTIGO ACERCA DA QUE É JÁ CONSIDERADA A MAIS IMPORTANTE PROCISSÃO FLUVIAL DE TODOS OS TEMPOS, VEJAM ALGUMAS REPORTAGENS:
  1. No site da [ANMPN];
  2. No Blogue do [Gatopardo];
  3. No Blogue [Lisboa entre Cabos];
  4. No Blogue [Nós e o Mar].
Um abracinho da Sailor Girl, toda partida dos cabos que teve de colher, das manobras perigosíssimas que teve de efectuar e do pano que teve de caçar a mando do ARRAIS JOÃO MARTINS, Mestre do bote de fragata «BAÍA DO SEIXAL»!

(Fotografias de Moeda Comemorativa alusiva à Nossa Senhora da Atalaia, Padroeira dos Alfandegários, colocadas por «A Ver Navios» no Blogue [Nós e o Mar].)

Tuesday, May 29, 2007

«VENHAM VER», por F. Carvalho Rodrigues

«Contavam-me em Chelas, no vale de Chelas, perto do antiquíssimo Convento de Chelas, visitado por Aquiles, celebrado aos deuses por Vestais; mesquita e mais tarde local de arribação dos mártires S. Félix e Santo Adrião, que de dois em dois anos, pelo Tejo e pelo esteiro do Tejo em Chelas vinha a imagem de Nossa Senhora da Atalaia em peregrinação passar dois anos com as monjas. Garantem-me que a imagem que ainda está na Igreja de Chelas é a autêntica. Talvez. O certo é que a imagem vinha, de dois em dois anos, numa procissão de barcos. De barcos do Tejo, quando a natureza de Portugal se confundia e harmonizava com a natureza.
A tradição começou no ano da peste de 1503. Nesse ano os Alfandegários de Lisboa fizeram a primeira peregrinação pelo Tejo com o seu círio ao Santuário da Senhora da Atalaia. As cores e o desenho dos barcos do Tejo são a extensão da alegria de uma Pátria que tem claridade. Onde a sombra, por reflexo do sol no Tejo, ainda assim brilha de luz. As formas, as cores, o vento, as velas, a água, o arrais, os camaradas e o leme, sempre foram a mensagem do Tejo. Mensagem do estilo Atlântico. Mensagem de navegação e oração. Mensagem da extensão conforme de homem e de natureza.
Barcos do Tejo, variedade de cor, quebram as correntes do ar e as do rio que a outros aprisionam nas margens. Barcos do Tejo, busca de reconciliação. Barcos do Tejo, altares do movimento. Vi-os dos miradouros. Vi-os correr na borda de água. Vi-os do Castelo. Vi-os nos cais. Vi-os que transportavam mercadorias. Vi-os que levavam gentes. Vi-os no contrabando. Vi-os nos cercos e nas libertações. Vi-os correr de vento norte pela proa.
Depois. Depois, construíram duas pontes. Deixei de ver os barcos do Tejo. Vejo-lhes agora os cascos na Holanda. Vejo-os, também, em Inglaterra. Vejo-os na margem em terras portuguesas ao redor de Lisboa. Em Lisboa, não. Lisboa vejo plástico. Lisboa da fibra de vidro. Do euro que lhe vem fácil da venda da Pátria que lhe não repugna. Lisboa sem cais que sirvam os barcos do Tejo. Lisboa longe da natureza. Lisboa sem cultura portuguesa.
Mas, em redor, o povo dos arrais, dos camaradas, dos artífices e dos que amam o Tejo, resiste no amor, reforça a ambição da vida no equilíbrio de homem e de natureza. E mantem. E constrói. E ensina. E veleja. E chora. E de raiva grita por mais barcos do Tejo. Para que sabedorias antigas não desapareçam. Por cais para esses barcos. Por mais Tejo para os seus próprios barcos.
Em Julho não haverá mais barcos do Tejo. Mas nos dias da regata do Tejo entre a Moita e Vila Franca de Xira com regresso à Moita haverá mais cor de barcos do Tejo no Tejo. Venham ver, assistir ao espectáculo do equilíbrio milenar entre portugueses e a sua natureza. Venham ver a festa do quebrar do vento, do ar e das correntes da água do rio numa festa de cor e movimento partilhada pelos homens e pela natureza.
Venham ver a regata da cor, do amor, da natureza e da vida. É todos os anos, no Tejo, e em frente e nos cais da Moita e de Vila Franca de Xira.» F. Carvalho Rodrigues, in «Convoquem a Alma»

Tuesday, May 15, 2007

O MELHOR ARRAIS DO MUNDO!...

Fotografia de António Homem Cardoso, retratando o nosso grande Amigo João Gregório, gentilmente cedida ao [Centro Náutico Moitense].

(Please note the information given by Pereira de Oliveira regarding the exposition pending at Sociedade Nacional de Belas Artes in Lisbon, opening everyday from 14.00 to 20.00 hours, honouring fourty years of Antonio Homem Cardoso's work with photography. It has started on the 10th and will stay open till the 18th of May. For the whole of a year there will be events cellebrating his contribution to the art of photography.)

Post dedicado aos meus AMIGOS DA MOITA, inspirado pelo comentário acabado de deixar por [SeaWolf] no post [MENSAGEM DO CENTRO NÁUTICO MOITENSE]: «Grande João Gregório, Grande Raquel, Viva o Centro Náutico Moitense, Viva as Canoas, Viva os Catraios, Viva o Tejo, Viva hoje e sempre os Arrais, Grande discurso está Magnífico».

PROGRAMA DO ENCONTRO DE EMBARCAÇÕES

Entre 18 e 20 de Maio de 2007, realiza-se um [Encontro de Embarcações] promovido pela Câmara Municipal através do Ecomuseu Municipal contando com a co-organização da Associação Náutica do Seixal e da Associação Naval Amorense. Este encontro destina-se a valorizar o património náutico e cultura marítima e fluvial do estuário do Tejo, aprofundando a relação dos habitantes dos concelhos ribeirinhos com o rio e contribuindo para uma maior fruição dos seus recursos naturais. Tendo em conta que o estudo da cultura e do património marítimo reportado ao estuário do Tejo é uma das principais áreas de actividade do Ecomuseu Municipal do Seixal, este Encontro de Embarcações Tradicionais constituirá o evento principal da edição de 2007 do Maio-Património, conjunto de eventos que no Seixal associam o aniversário do Ecomuseu, o Dia Internacional dos Museus e a Noite dos Museus. Comissão de Honra do Encontro de Embarcações Tradicionais do Estuário do Tejo:
  • Professor Aníbal Cavaco Silva, S.E. O Presidente da República;
  • Dra. Maria Isabel Pires de Lima, Ministra da Cultura;
  • Dr. Francisco Nunes Correia, Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional;
  • Almirante Fernando Melo Gomes, Chefe Maior do Estado da Armada;
  • Carlos Humberto Carvalho, Presidente da Área Metropolitana de Lisboa e da Câmara Municipal do Barreiro;
  • Alfredo Monteiro, Presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal e da Câmara Municipal do Seixal;
  • Eufrázio Filipe Garcez José, Presidente da Região de Turismo da Costa Azul;
  • Dr. Manuel Frasquilho, Presidente do Conselho de Administração do Porto de Lisboa;
  • Comandante Caetano Silveira, Capitania do Porto de Lisboa.

PROGRAMA: 18 de Maio, Sexta-feira, 15h00 – Desfile de embarcações tradicionais na Baía do Seixal, com paragem frente ao Núcleo Naval do Ecomuseu em Arrentela e desembarque de participantes; 19 de Maio, Sábado, 9h00 – Sessão pública sobre Protecção e Valorização do Património Marítimo do Estuário do Tejo – Museus e Comunidades (Auditório Municipal, Fórum Cultural do Seixal). 16h00 – Regata dos 25 anos do Ecomuseu Municipal (Baía do Seixal). 20 de Maio, Domingo, 17h00 – Regata dos arrais (Baía do Seixal).

Monday, May 14, 2007

JOÃO GREGÓRIO NO 70.º ANIVERSÁRIO DO NAVIO DE TREINO DE MAR «CREOULA»

(João Gregório, Presidente da Direcção do Centro Náutico Moitense, proferindo o discurso de homenagem ao Exmo. Comandante do Creoula por ocasião da Cerimónia Comemorativa do 70.º Aniversário do Lugre «CREOULA», no dia 10 de Maio de 2007)

MENSAGEM DO CENTRO NÁUTICO MOITENSE

(João Gregório, no final da comunicação da Mensagem do Centro Náutico Moitense na Cerimónia de Comemoração do Septuagésimo Aniversário do CREOULA) «Eu e a Senhora Comodoro do Centro Náutico Moitense, Dra. Raquel Sabino Pereira, queremos, em nosso nome e no do Centro, ao entregar as insígnias de Fragateiro, a nossa mais alta distinção, ao Senhor Comandante Silva Ramos, simbolizar a união tantas vezes celebrada no Tejo entre lugres e fragatas antes e depois das viagens até aos bancos da Terra Nova. Os fragateiros trouxeram até este navio o sal deste ar, desta água, desta terra e deste sol, que sempre trouxe de volta o CREOULA à Pátria, construído, com o seu irmão gémeo Santa Maria Manuela, por aprendizes, por operários, por mestres, por engenheiros, pensado por armadores, num esforço colectivo do trabalho e do talento industrial português. Também a esses queremos honrar, entregando a Vossa Excelência, Senhor Comandante, este barrete e esta faixa de Fragateiro e com eles relembrar todos os arrais, todas as tripulações das embarcações do Tejo que se atracaram a este navio, e todos os comandantes, todas as tripulações, todos os pescadores que aqui viveram. E, finalmente, prestar homenagem à Marinha, à Armada com que nós, arrais, sotas e moços, tivemos o episódio mais definitivo da Guerra Peninsular. Teve lugar no dia 13 de Outubro de 1810. Em frente a Vila Franca de Xira. Fragatas, varinos, botes, canoas, catraios mesmo, e varinos de água acima, armados de alguma artilharia – e com portugueses como os que aqui estamos hoje – impediram no Tejo que as tropas de Massena aparecessem em frente a Lisboa, por trás das linhas de Torres Vedras no que foi, então, a Batalha decisiva para a independência de Portugal. Nesse dia, no Tejo, nós e vós fomos UM SÓ. Nesse dia, o General Saint Croix, o pensamento do exército invasor, foi morto pela nossa acção. Nesse dia selou-se neste Rio, convosco e connosco, o fim da Invasão. E foi tão definitiva que fará em 2010 duzentos anos que ninguém mais ousou. Senhor Comandante Silva Ramos, ao entregar-lhe estas insígnias honramo-nos, porque para defender Portugal havemos de ser nós, das embarcações do Tejo e vós deste Lugre, UM SÓ.» A bordo do Lugre CREOULA, em 10 de Maio de 2007.

Monday, April 30, 2007

PARABÉNS, JOÃO G.!!!!!.....

Fotografia «As cores de uma canoa», remetida por s.o.s. da Moita. Photograph «The colours of a typical ship», sent by s.o.s. from Moita. These are the true colours of the beautiful ships that are still sailing in the River Tagus thanks to half a dozen sea-lovers who do not let this tradition die. The true colours of Friendship, to celebrate my dear Friend João's Birthday.

Friday, April 27, 2007

A NEW STAR IS BORN * NASCEU UMA NOVA ESTRELA DO TEJO!!!...

A NEW STAR WAS BORN AT MOITA, BY THE RIVER TAGUS, WITH A CONTEST PENDING TO GIVE HER A NAME! Feel free to join the contest! More information at the owner's blog [HERE]. NASCEU UMA NOVA ESTRELA NA MOITA, JUNTO AO RIO TEJO, ESTANDO A DECORRER UM CONCURSO PARA ATRIBUIÇÃO DO NOME! Participe! Mais informações no blogue do proprietário [AQUI].

Thursday, April 26, 2007

A NEW STAR IS BORN

SHE WILL LOOK JUST LIKE THESE BEAUTIFUL SHIPS!!! LET'S FIND A NAME FOR HER!!! The owner, Rúben Torrão (Rabanete da Moita) is a 14 year-old sailor, following the steps of his Father and Grand-Father and Great-Grand-Father in typical ships' building!... He is my Friend and I am so proud of it!!!...

«O Círio», por F. Carvalho Rodrigues

«Sempre houve um templo onde o vale começa. Sempre houve uma praia onde o vale termina. Quero acreditar que Achiles lhe deu o nome: Chelas. Em tempo houve braço de rio. Noutro tempo, havia noras e hortas. Carros de bois e charrettes de cavalos que iam a Lisboa. Havia comboios, palácios, searas e animais que eram em pedra. Havia quintas e fábricas. Havia aprendizes, operários, mestres, engenheiros e oficiais do exército. E, depois, havia … nós. Um bando. Íamos à escola, da D.ª Laura, da Voz do Operário. Jogávamos à bola na rua e quando nos deixavam no campo do Operário. Fazíamos barcos no Verão. Bonecos de barro no Inverno. Éramos os donos da rua, dos campos, da mata e da praia. Até que … um dizia a outro, baixinho, para que ninguém perdesse a face: a tua avó já chamou por ti … duas vezes. Ia, então, devagar enquanto me viam, a correr, depois, até casa da minha avó.
A minha avó, aquela, era uma católica muito devota. Tinha sido operária na Fábrica da Pólvora. E, na Fábrica da Pólvora, tinha havido um incêndio em 1923. Aconteceu no armazém do algodão. E o armazém era a Igreja do Convento de Chelas. Lugar do Templo de Vestais do século VII antes de Cristo. Pode ver-se o que a história deixou no Museu do Carmo. Depois, pelo rio, chegaram as relíquias de S. Félix, mártir do século IV. Em 665 a Igreja Visigótica recebe-as do rei Recesvinto. É mesquita. No século IX, Afonso III de Leão e das Astúrias entrega ao Templo de Chelas as relíquias de Santo Adrião e da mulher, Santa Natália. D. Afonso Henriques volta de novo a sagrá-lo para a Igreja Católica, antes de entrar em Lisboa. Vieram monges e monjas. Depois, só monjas. D. Afonso III de Portugal gostava de por lá ficar. A Marquesa de Alorna foi forçada a estar na companhia dos filhos. Depois de 1755 é guarnecida pela talha portuguesa. Um dia chegou a Fábrica da Pólvora. Noutro dia, nos anos cinquenta, um movimento encabeçado pela minha avó reabre o local como Templo de S. Félix e de Santo Adrião. Eu, começava a conhecer-me. Mas, por alguma razão, eu lembro-me e recordei-me, sempre, toda a vida, que uma senhora veio e disse: sabem, do incêndio, eu salvei a imagem de Nossa Senhora da Atalaia do Círio de Chelas. O ano era o de 1956. E a imagem voltou onde sempre esteve: a Igreja do Convento de Chelas.
Fiquei a saber de Nossa Senhora da Atalaia que era também a das Alfândegas. E da maior procissão do Tejo, de todos os círios da margem Norte, a de Nossa Senhora da Atalaia na outra banda, no concelho do Montijo. Entretanto, o mundo foi o que foi e um dia encontrei na Moita uma canoa que o tempo me emprestou para ser, por um tempo, minha e eu tomar conta dela. E por essa canoa encontrei, arrais, patrões, catraieiros, sotas e moços do Centro Náutico Moitense. Homens livres. Homens com a sabedoria do mar e do rio. E com eles fomos um dia com o Senhor João Gregório, o Arrais, e a Da. Nazaré até ao Santuário de Nossa Senhora da Atalaia. Devoção secular, segurança, apego e promessa de ir até lá venerar a Deus e à Senhora, em anos de peste. Encontrámos um homem, Padre, de nome Abraão que nascera em Angola e era em 2005 Reitor do Santuário. E fomos a Chelas, e encontrámos outro Padre, Frei Paulo, nascido em Itália. E todos, como um só, fizemos o “Círio da Fundação” que assim quis o Padre Abraão que se chamasse porque fazia quinhentos anos da primeira notícia da procissão no Tejo.
E esse ano o sagrado voltou a unir as duas margens com os varinos, as fragatas, os botes, as canoas e os catraios vindos de todos os portos do Tejo, engalanados de velas ao sol no equilíbrio último do homem português. O equilíbrio entre o seu templo, a sua devoção, o seu meio ambiente acarinhado pela Mãe de Deus, de Atalaia. Este ano de 2007 ainda outra vez esperamos, Deus querendo, que a dois e três de Junho Nossa Senhora na invocação da Atalaia venha unir na quintessência divina, o ar, a água, a terra, a luz e os homens de todo o mundo e os das duas margens do Tejo.
Deus guardando-nos, havemos de o fazer de dois em dois anos.»