Wednesday, December 12, 2007

DIGA «NÃO» AO PACTO DE SILÊNCIO!!!...

Na sequência do primeiro post de hoje, passo a transcrever o artigo intitulado [ABUSO CONTRA A INFÂNCIA...], publicado em 7 de Julho de 2007, que tão bem descreve a problemática dos abusos sexuais a crianças e as suas repercussões para o futuro. Interessa directamente não apenas aos pais das vítimas, seus amigos, vizinhos, professores, etc., mas sobretudo às próprias vítimas, independentemente da idade que agora tenham, permitindo-lhes ver que (infelizmente) não constituem caso isolado e confirmar que as maleitas de que padecem na actualidade (sintetizadas neste artigo) e que lhes incute «24 horas por dia de tortura para o resto das suas vidas» decorrem das agressões de que foram vítimas. Numa altura em que o Governo prepara o Plano Nacional da Saúde Mental, aproveitemos para esclarecer, iluminar e inspirar a Mens Legislatoris...
DIGA NÃO AO «PACTO DE SILÊNCIO», E DENUNCIE SUSPEITAS DE CRIME!!!...
«Psicanalistas e advogados levantam o véu do silêncio em torno das crianças vítimas de violência sexual» (leia o texto completo nos comentários a este post).

3 comments:

Sailor Girl said...

Continuação:

«ABUSO CONTRA A INFÂNCIA: SILÊNCIO DAS MÃES ACOBERTA O AGRESSOR E AGRAVA A VIOLÊNCIA
As denúncias mais freqüentes são feitas por avós, amigos, professores e mulheres que têm a coragem de se separar. A mão é freqüentemente desenhada pelas crianças para simbolizar a violência sofrida. Traços infantis retratam um pai perverso e traiçoeiro. A advogada Tânia da Silva Pereira, especialista em direito de família e atuante em casos de abuso sexual, cita uma das situações comuns que vive em seu escritório: uma avó lhe telefona e diz suspeitar que a netinha esteja sofrendo abuso sexual pelo companheiro da mãe. Sinal de alerta: a menina, de 5 anos, estava com a vagina muito vermelha e contara, constrangida, que, durante o banho, o pai insistia em esfregar seus órgãos genitais, acariciando repetidamente todo o seu corpo.— A avó pediu ajuda à advogada, porque, ao comentar suas suspeitas com a filha, ela a expulsou de casa, proibindo seu convívio com a neta. Para a advogada, esse é um problema que as mães têm dificuldade de enfrentar porque se sentem ameaçadas, receosas do desmoronamento familiar. Embora os agressores masculinos sejam mais comuns (90% dos casos), a violência, segundo Tânia, também é praticada pela mãe, às vezes com participação de terceiros. É um crime de difícil comprovação, porque, quase sempre, a vítima — uma criança — é a única testemunha. E há uma tendência da Justiça, segundo Tânia, de ver apenas o crime e não de tratar a família.— É claro que devemos afastar o abusador, como determina o artigo 130 do Estatuto da Criança e do Adolescente, mas é preciso trabalhar com a família para que isso não se repita. Os condenados, após cumprirem a pena, ameaçam de morte ex-mulheres e filhos. Resta aos advogados orientá-los a reiniciar a vida em outro lugar informando à polícia eventuais ameaças. Para proteger a vítima de abuso, foi criado o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas (NPCAV), que já recebeu, em um ano, cerca de 120 denúncias de abuso no Rio. Elas vêm de professores, conselhos tutelares e da própria família, segundo o diretor do núcleo, delegado Leonardo Tumiati:— Desses casos, 70% são de violência familiar que superaram abarreira do silêncio. Nós já conseguimos a prisão cautelar de 18 abusadores que estavam ameaçando as vítimas, antes da conclusão do processo.Dos casos investigados, 60% foram de atentados violentos ao pudor (sem ato sexual) e 40% de estupros. A média de idade das vítimas é de 2 a 8 anos. Outra situação freqüente nos casos de abuso é aquela em que a mãe sabe o que está ocorrendo, mas silencia por medo de perder o provedor da família, ou por vergonha de tornar pública tamanha aberração. Segundo a psicanalista Alice Bittencourt, que acompanha vários casos de abuso sexual, a criança é quem dá os sinais de alerta, entre eles, insônia, angústia, vergonha, autoflagelação, baixa auto-estima, isolamento na escola e medo de lugares fechados. Alice esclarece que a criança vive um profundo conflito: de um lado, o sofrimento de uma invasão que ela não entende, mas a incomoda; de outro, uma luta para ver algo de positivo nesse pai abusador e um ódio à mãe, que não a protege da violência:— Superar essa situação ambivalente é difícil para a criança e exige ajuda familiar e atendimento especializado. A análise permite que a criança perceba que não está só e reaja à agressão.— Recebemos crianças muitas vezes no limiar de um quadro psicótico, porque ninguém acredita nela. Mostramos que o que aconteceu não é loucura ou fantasia de sua cabeça — diz a psicanalista Gabriella Barbosa. Aos poucos, no tratamento, elas percebem que o que o pai fez é crime, passam a dizer não e a fazer valer seus direitos.
As crianças violentadas têm mecanismos de defesa, segundo a psicanalista Graça Pizá.— Elas se fingem de mortas para permanecerem vivas. É como sepensassem: “Vai passar.” Essa reação permite que elas negociem a vida. As que reagem, esperneiam, choram, fazem barulho e pedem socorro, correm o risco de serem mortas. Numa etapa avançada da análise, a criança expressa o desejo de vingança. Passa sessões planejando crimes. “Sonhei que tinha um lugar secreto para me esconder do papai. Lá tem um serrote para cortar ele em pedacinhos. Onde tem loja que vende serrote, doutora?”, ouve-se no curta-metragem “A escuta do silêncio — O incesto através do olhar da criança em análise”, que Graça dirigiu. Junto com o filme, ela lança no dia 19 o livro “A violência silenciosa do incesto”, com textos de 16 especialistas, entre psicanalistas, médicos, educadores e advogados.Um dos grandes achados do livro é o “Vocabulário ilustrado dos afetos emparedados”. São 32 desenhos infantis que ilustram conceitos psicanalíticos como “criança-fetiche”, que mostra como a vítima da violência torna-se um objeto facilmente manipulável. Com apoio da Childhood, fundada pela rainha Sílvia, da Suécia, e da Medicus-Mundi, da itália, Graça conseguiu criar ano passado a primeira Rede Especializada para o Atendimento Psicossocial a Crianças e Adolescentes Expostos à Violência Sexual (Revirança), com o objetivo de romper o pacto de silêncio que cerca o incesto. Como escreve no livro a defensora pública Rosângela Zagaglia, “precisamos destruir o mito de que o estranho é muito mais perigoso do que aquele que está dentro de casa”.»

pereira de oliveira said...

o pior e o mundo criminalizado que tomou conta dos media e calou a verdade utilizando a denuncia...ee como a inquisicao...a denuncia, a delacao, acaba por calar a verdade...ee a comunidade como um todo por vigilancia social natural como se fazia nas aldeias que funciona...mas virao melhores tempos para a justica

Sailor Girl said...

Início da notícia, que antecede o primeiro comentário (teve de passar para aqui, por razões de espaço):

«Psicanalistas e advogados levantam o véu do silêncio em torno das crianças vítimas de violência sexual.
Os professores acharam a menina de 10 anos tão inventiva que deram a ela o primeiro lugar no concurso de redação infantil do colégio. O texto vinha acompanhado de um desenho chamado “A mão invisível”, igualmente premiado. A mão que sobrevoava a casa, entrava no quarto à noite e invadia as cobertas foi classificada como uma história de literatura fantástica e acabou no mural da escola, numa exposição com os melhores trabalhos. E a mãe de outra criança visitava a mostra quando tomou um susto com o desenho, semelhante ao que tinha visto numa reportagem sobre abusos sexuais contra crianças. Graças à sua denúncia, descobriu-se que a menina era violentada há quatro anos e meio pelo padrasto, que entrava no quarto com a desculpa de desligar o ventilador. A redação e o desenho foram a forma que ela encontrou de expressar o horror de que era vítima. — A criança dá sinais, mas os adultos muitas vezes não percebem. É uma violência ensurdecedora, mas que ninguém ouve — diz a psicanalista Graça Pizá, diretora da Clínica Psicanalítica da Violência (Cliviol), em Ipanema, na Zona Sul carioca. Graça coordena uma pesquisa com 853 crianças — a maioria entre 3 e 9 anos, de todas as classes sociais — atendidas na clínica entre 1998 e 2003. Os dados traçam um quadro aterrador e revelam os sinais de alerta emitidos pelas vítimas.Às vezes, eles vêm na forma de frases como “o papai-tubarão solta uma gosma verde”. Também surgem como desenhos que falam de dragões com língua de fogo, mostram olhares sedutores do pai, trazem crianças sem braços, incapazes de se defender, apresentam mãos — mãos que beliscam, acariciam, machucam e invadem o corpo infantil. Num desenho, uma menina criou uma história para cada dedo. O indicador tinha o nome do padrasto.
Há o caso de uma criança que ficou desesperada quando soube que a madrasta estava grávida — tinha medo de que o pai abusasse do irmão que estava para nascer, como fazia com ela. Outra garotinha não quis mais assinar o sobrenome completo no colégio — só o da mãe. —A criança violentada muitas vezes se desenha sem expressão humana. Há um desejo de estar invisível, de desaparecer. Mas o primeiro sintoma é a repulsa. A criança tem medo — explica Graça.As mães muitas vezes ignoram os avisos, mesmo quando vêm na forma de corrimentos, inflamações e infecções. —Há uma recusa do real. Elas não acreditam, fecham os olhos, até que a criança começa a sinalizar intensamente e aí as mães não têm como negar — diz Gabriella Barbosa, assistente de direção da Cliviol. Gabriela atende às mães e já se habituou a ouvir desculpas como: “Observei um corrimento ralinho, mas não levei ao médico para não expor minha filha”. O incesto torna-se, assim, um segredo familiar.— É um crime quase perfeito. Mas sempre escapa algo num desenho, num sonho, numa redação, ou num ato falho — conta Graça. Sem poder recorrer ao pai ou à mãe, a criança se sente órfã, deprimida, envergonhada, pensa em morrer.—Quando não tratada, o horizonte da vítima é o homicídio, o suicídio, a droga, a prostituição — diz a psicanalista. — Ela vive 24 horas de tortura por dia. É uma experiência semelhante à do preso político, que nunca sabe a hora em que o torturador vai chegar.
Segundo a psicanalista Alice Bittencourt, que acompanha vários casos de abuso sexual, a criança é quem dá os sinais de alerta, entre eles, insônia, angústia, vergonha, autoflagelação, baixa auto-estima, isolamento na escola e medo de lugares fechados. Alice esclarece que a criança vive um profundo conflito: de um lado, o sofrimento de uma invasão que ela não entende, mas a incomoda; de outro, uma luta para ver algo de positivo nesse pai abusador e um ódio à mãe, que não a protege da violência:— Superar essa situação ambivalente é difícil para a criança e exige ajuda familiar e atendimento especializado. A análise permite que a criança perceba que não está só e reaja à agressão.— Recebemos crianças muitas vezes no limiar de um quadro psicótico, porque ninguém acredita nela. Mostramos que o que aconteceu não é loucura ou fantasia de sua cabeça — diz a psicanalista Gabriella Barbosa. Aos poucos, no tratamento, elas percebem que o que o pai fez é crime, passam a dizer não e a fazer valer seus direitos».