Thursday, June 18, 2009

Baptismo do novo submarino «Arpão»

Reproduzo a notícia da Agência LUSA das 20h19 de ontem, referente à cerimónia de baptismo do novo submarino «Arpão», que se realizou hoje de manhã, em Kiel:
«Berlim, 17 Jul (Lusa) - O ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, assiste na quinta-feira, em Kiel, Alemanha, ao baptismo e lançamento à água do submarino "Arpão", encomendado por Portugal em 2004, disse hoje à Lusa uma fonte diplomática. O "Arpão" é um dos dois novos submarinos do tipo U-209/PN encomendados pela Marinha Portuguesa ao German Submarine Consortium, empresa do grupo Thyssen Krupp. No total, os dois submersíveis, considerados dos mais modernos do mundo, custarão mil milhões de euros. A compra integra-se no programa de renovação da frota da Armada, que deverá estar concluída em 2012.
O outro submarino, o "Tridente", foi baptizado em Kiel a 15 de Julho de 2008, será entregue a Portugal em 2010, e o "Arpão no ano seguinte. Depois das fases de testes e de instrução das respectivas tripulações, já em alto mar.
A cerimónia de baptismo do "Arpão" decorre de manhã no estaleiro alemão [Howaldtswerke Deutsche Werft] (HDW), em Kiel, e nela participam, além de Severiano Teixeira, o chefe do Estado Maior da Armada, Almirante Melo Gomes, o chefe da Esquadra Portuguesa de Submarinos, capitão de mar e guerra Gouveia e Melo, e os deputados da comissão de assuntos parlamentares de defesa Agostinho Gonçalves (PS), Henrique Freitas (PSD) e João Rebelo (CDS-PP). A madrinha do "Tridente" será a antiga primeira dama, Maria Barroso.
Portugal encomendou, em 2004, os dois submarinos alemães ao HDW, maior fabricante mundial de submarinos não nucleares, após rejeitar a proposta francesa do Scorpéne, dos estaleiros DCNI. O "Tridente" e o "Arpão", com 68 metros de comprimento e uma tripulação de 32 efectivos, atingem avelocidade máxima de 20 nós e têm autonomia de 45 dias. Os motores são movidos a "fuel cell", o que os torna particularmente silenciosos e sem combustão, dificultando o reconhecimento por forças inimigas. A sua aquisição, decidida pelo anterior ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, destinou-se a substituir os únicos submersíveis da classe Albacora que a Armada actualmente possui, o "Barracuda" e o "Delfim", ambos em fim de vida.
O "Barracuda" é o único sobmarino português no activo, e já navega há 41 anos».

15 comments:

Dina said...

A new sub was christened?
Congratulations.

Small City Scenes said...

Look at the difference in size. Subs are kinda cool looking. MB

Leif Hagen said...

Holy buckets!! I hope he's a friendly sub and not a naughty sub!! Nothing worse than submarine torpedos swimming around a harbor! Regards!

ncm said...

Aqui está um exemplo de dinheiro dos contribuintes bem gasto....

Só falta o label "só servimos para pagar impostos"...porque será?

Joao Quaresma said...

NCM: tem toda a razão em dizer que é dinheiro bem gasto. É pena só serem dois, pois o necessário eram quatro. E tiveram mais de 100% de contrapartidas para a indústria portuguesa, tal como aconteceu com os outros contratos feitos no tempo do Dr. Paulo Portas.

É graças aos submarinos que os Estaleiros de Viana do Castelo foram reequipados, receberam mais encomendas de porta-contentores para a Alemanha, que o Exército Alemão está a ser equipado com equipamento de comunicações portugues e que a Auto Europa está a fabricar o VW Eos.

Ao contrário dos feitos mais recentemente, como o das dezenas de Airbus (parte deles desnecessários) com 0% de contrapartidas para as empresas portuguesas.

Sailor Girl said...

Amigos!
Não imaginam o bem que me sabe receber comentários de compatriotas!! É que basicamente só recebo comentários de estrangeiros!!!

Muito obrigada e voltem sempre!!!

ncm said...

Uau... então é melhor encomendar mais umas dezenas deles e talvez a crise acabe...

Depois alguém pagará!

Ops! O alguém sou Eu que trabalho por conta de outrem, não posso fugir aos impostos e não me irei reformar com cinquenta e poucos anos...

Sailor Girl said...

Bem... Estive a ver o blogue do NCM. Trabalha e não deve ser pouco... Tirando o pormenor de ter de subir as «escadinhas», deve ser uma profissão fabulosa, sempre no mar, sempre a pilotar grandes navios e até submarinos!!!

O que uma pessoa aprende na blogosfera! Um dia destes meto uma cunha para ir na lancha, pode ser???? Tenho carta de marinheiro, é suficiente? Tenho de fazer algum seguro especial???

Obrigada.

ncm said...

Está combinado!

ncm said...

O mais difícil e perigoso é descer as "escadinhas"...

Anonymous said...

NCM: Dezenas? Não, só mais dois. Basta negociar bem as coisas, defendendo os interesses da indústria nacional que é o que toda a gente tem por hábito fazer, menos Portugal.

João Quaresma

Anonymous said...

Caro João Quaresma.

Infelizmente conheço bem a negociata que envolveu a aquisição dos dois novos submarinos portugueses.

Salvaguardando o devido respeito que tenho pela Armada, não compreendo como é que um País que se encontrava de tanga e agora vai nú se dá ao luxo de gastar o que gastou na aquisição destas duas novas unidades.

Ao contrário do que muitos gostam de apregoar, os submarinos em tempo de paz não servem para quase nada e são unidades com um elevado custo de manutenção, tal como o VTS também não serve para prevenir derrames ou combater o tráfico de droga...

A Armada deve gastar o dinheiro dos contribuintes (que são cada vez menos) em missões de busca e salvamento e no policiamento das nossas águas - para estas nobres missões existem equipamentos navais mais úteis e menos dispendiosos do que os submarinos!

Para a guerra - Deus nos livre - (sou um céptico ateu mas é para ilustrar a cena) dois ou quatro submarinos de propulsão convencional sem armamento nuclear são apenas mais dois peixes no mar...

Quanto às contrapartidas são ridiculas, os ENVC trabalham maioritáriamente com empresas subcontratadas onde a maioria dos trabalhadores não são portugueses e a VW de Setúbal está por um fio se o mercado auto não melhorar rápidamente tem o seu encerramento à vista e não há submarinos que lhes valham.

E quem paga tudo isto?

Eu pago a minha cota todos os meses!

NCM

João said...

Caro NCM,

Vou apelar à sua compreensão mas já há anos que ando a explicar porque é que Portugal (não é a Armada: é o país que ela serve) precisa de submarinos, pelo que vou tentar não me alongar. Podemos explicar simplesmente por:

1. Tal como existe o espaço terrestre e o espaço aéreo, existe o espaço marítimo e o espaço submarino. A arma submarina da Armada corresponde, noutra dimensão, à Força Aérea. Mas, mesmo em tempo de paz, enquanto o espaço aéreo pode ser vigiado por radares, o espaço submarino não pode ser todo vigiado por sonares fixos (se os houvesse...), pelo que é preciso andar por lá a ver o que se vai passando, e se anda por lá alguém não convidado a fazer o que não nos interessa. A Marinha, em tempo de paz ou de guerra, ficaria incompleta se não tivesse submarinos.

2. O submarino é uma arma perigosíssima, desde que usado convenientemente. Pode estar lá sem ser visto, mesmo com recurso a sonares próximos. E pode-se só dar por ele quando for tarde de mais. Em exercícios, submarinos portugueses "afundaram" (e humilharam) porta-aviões americanos (o USS Independence, pelo Barracuda, em 1982, levando à demissão do comandante da frota do Atlântico dos EUA), ingleses e espanhóis. Dá uma vantagem enorme a quem o tem, mesmo um país pequeno e fraco pode colocar em sentido um muito forte. Em 1961, a Índia esteve para cancelar a invasão de Goa, Damão e Díu por suspeita da presença de submarinos portugueses. Nos anos 90, durante a Guerra do Kosovo, houve um dia em que a NATO evacuou de emergência todos os seus navios
do Adriático apenas porque não sabia onde estava um submarino jugoslavo.

3. Se não houver submarinos portugueses no mar português, sem dúvida que continuarão a haver submarinos só que não serão portugueses.

4. Portugal não precisa de uma guarda costeira (infelizmente; seria sinal que vivíamos num "bairro calmo"), mas de uma Marinha de Guerra, capaz de bater forte e feio se necessário. Na nossa zona estratégica cruzam-se os interesses de muita gente e nem sempre nos são favoráveis. Veja-se a campanha que o lobby britânico moveu na nossa imprensa contra a compra de submarinos. Eles lá terão os seus motivos.

Como é que sabe que em tempo de paz os submarinos não servem para nada em tempo de paz? Porque não andam a afundar ninguém? Como é que acha que sabe tudo o que os submarinos andam a fazer?

Mesmo que estivessem parados no Alfeite (que não estão) serviriam para uma coisa: dissuadir. Os bombeiros não fazem nada a maior parte do tempo mas quando são precisos convém tê-los não é?

Quanto ao custo, vale a pena dizer o seguinte: acharia bem que Portugal comprasse um porta-aviões todos os anos? Não, pois não? Mas a CP e a Refer todos os anos custam mais de 400 milhões de CONTOS em PREJUÍZOS. O novo porta-aviões italiano, com aviões incluídos, custa 355 milhões de contos. Ou seja, todos os anos nós pagamos mais de um porta-aviões, mas disso não se fala. Comparado com isso, 3 ou 4 submarinos de 30 em 30 anos são peanuts.

Pronto. E isto foi não me alongando.

Um abraço!

Alexandre Correia said...

Olá S.G.!

Fiquei preocupado com o Tridente, pois com uma madrinha como a antiga Primeira Dama Barroso (não confundir com o José Manuel, que esta sempre andou encostada ao Mário, o Soares) nem precisa de ter de enfrentar inimigos. E quem foi a madrinha do Arpão?

Alexandre Correia

LUIS MIGUEL CORREIA said...

A Madrinha do primeiro foi a Senhora do Dr. Jaime Gama, possivelmente uma homenagem a Vasco da Gama...